"It's nice to be loved, it can never happen to late", era a voz de Julian Casablancas que surpreendemente reinava a pesada atmosfera dentro do carro de Amy. Uma fotografia das suas filhas pendurada no retrovisor baloiçava com o vento, proveniente da janela aberta. "Merda de frio", gritou Amy expelindo uma nuvem de fumo, deitando de imediato o cadáver do seu marlboro, que provavelmente iria dar início a um incêndio, visto que o atirou para o meio da relva da pequena floresta que cercava a auto estrada que ligava Los Angeles aos subúrbios. A guitarra de Little Girl parecia-lhe uma dose de morfina aos ouvidos, o seu corpo estava relaxado e a sua mente focada no que queria atingir, sem bem que se calhar não fosse pelos meios mais correctos, mas enfim, o que se há-de fazer quando tudo na vida corre mais que mal?
"Your the coolest girl in this whole town, I just wanna parade you around", Amy riu-se amargamente, ela outrora fora a coolest girl, outrora fora alvo de olhares indiscritos, da fome de pratos torturados e amargos, onde o tempo parou e a velhice ficou instalado como a fotografia no retrovisor, que Amy observava atentamente, esperando que o filho da puta do carro da frente decidisse avançar nesta merda de trânsito. Amy estava cada vez mais nervosa e mordia o lábio, fazendo sangue
"The world's always amazed at how much cash you made, but not at how you made it, it's just strange, it sounded cool over the phone, it killed your neighbors and they dug and crushed their bones", Amy acelerou e fumava como a merda de uma chaminé, não parando sequer quando queimou a fotografia do retrovisor , ao atirar a beata, tentando acertar no bébé do carro vizinho. "Estou cansada", pensou Amy ao sair para o seu bairro. Percorreu ruas e ruas iguais até chegar a uma casa agradável, e de certa forma épica.
Parou, e saiu do carro, fumando, bebendo, e com a sua arma na mão, rindo de alegria.
"Everywhere it's gone..."

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