Aricê, não sabia bem porquê, levava um pássaro azul numa gaiola, no banco de trás do seu carro ele cantava.
V is for loving VIRTUALLY everything that you are
E is for loving almost EVERYTHING that you do
"Onde é que este pássaro foi aprender a cantar isto?", perguntava-se Aricê de vez em quando, rindo alegremante. Parou o carro junto da torre da Igreja, procurando no mapa a estrada a seguir. Avistou ao longe uma cabana que expelia fumo branco pela chaminé, e olhou para o relógio do carro. Uma e meia marcava o relógio que parecia tremer, a luz não era constante.
I'll be your Loverman 'til the bitter end
While empires burn down
Loverman partiu o vidro de trás do carro, gritando, ele queria apanhar o corpo de Aricê. Aricê correu o mais depressa que pode para a Igreja, procurando refúgio perto de um Deus que não existia. Entrou na Igreja, com um grande estrondo, e percorreu a nave central. Uma pilha de corpos revelou-se perante os seus olhos, corpos de mulheres nuas, umas com cabeças esmagadas, outras intactas, outras com ossos transformados numa papa mole e estaladiça, tipo cereais esmagados com leite.
Loverman rastejava pela Igreja, Aricê caiu, gemendo e chorando.
LOVERMAN! HERE I STAND FOR EVER, AMEN
'CAUSE I AM WHAT I AM WHAT I AM WHAT I AM
Loverman ergueu o machado, bem acima da sua cabeça e gritou. O pássaro azul atravessou-se à sua frente e Loverman deixou cair o machado, com um gigante estrondo, para o perseguir.
Aricê nãp desperdiçou a oportunidade, fugiu da Igreja, correu pela neve, correu até chegar a outra vila, já era manhã...
V is for VIRTUE, so I ain't gonna hurt you
Dias mais tarde, Aricê leu num jornal que Loverman se havia enforcado com a corda da merda do sino da Igreja, em frente ao crucifixo de um homem qualquer, tal como Aessya queria.
O Natal, tal como a vida, é irónico, só que de uma forma mais horrenda.
O Natal, tal como a vida, é irónico, só que de uma forma mais horrenda.
